Dependência do jogo em Macau representa "riscos estruturais" para a China, afirma estudo
jul26
s chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental.
Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do setor desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”.
O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais.
Segundo o relatório, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos.
Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70% e 80% das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas (10,1 mil milhões de euros) em 2024.
O emprego no setor passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população ativa a subir de 204.000 para 388.000.
No entanto, o estudo alerta que a “dominância esmagadora de uma única indústria” deixou a economia vulnerável.
Os investigadores apontaram que o setor hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6% em 2003 para 5,9% em 2024, mas as infraestruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos.
A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas (51,0 mil milhões de euros) em 2019 para 202,0 mil milhões (23,2 mil milhões de euros) em 2020.
“Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores.
Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas (3.200 euros), acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros setores.
Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde.
Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo como ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das atividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais.
Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afetando cadeias industriais e sistemas sociais.
O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70% dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente.
Os seis operadores de casinos enfrentam agora pressão para expandir ofertas não ligadas ao jogo, no âmbito da estratégia governamental “1+4”, que promove saúde, tecnologia, convenções e finanças.
O estudo reconhece que a atratividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.
https://observador.pt/2026/07/03/dependencia-do-jogo-em-macau-representa-riscos-estruturais-para-a-china-afirma-estudo/?utm_campaign=immediate&utm_content=article&utm_medium=email&utm_source=observador_alerts
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