O 3.º Plano Quinquenal da RAEM: até 2030, o sector não jogo passe a ocupar 60% do PIB de Macau

 may26

No ano passado, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o benefício económico do jogo na totalidade do PIB de Macau (198,1 mil milhões de patacas) teve um peso de 47,3%, o que significa que o sector não jogo representou cerca de 52,7% da economia da região. O peso do sector não jogo nas receitas fiscais da RAEM é, porém, inferior a 20%.

Na apresentação da consulta pública sobre o 3.º Plano Quinquenal da RAEM, as autoridades afirmaram que este é um objectivo viável para os próximos cinco anos e garantiram que, para alcançar a meta dos 60%, não será restringido o desenvolvimento do sector do jogo.

 

HENRY LEI OPTIMISTA

 

Os economistas ouvidos pelo PONTO FINAL dividem-se nas suas opiniões. Henry Lei está optimista. O professor de Economia Empresarial na Universidade de Macau e vice-presidente da Associação Económica de Macau começa por assinalar a “real necessidade de uma diversificação económica moderada”, de forma a gerar um “ambiente propício à alocação de recursos adicionais”. Henry Lei diz que terá de haver “apoio político complementar” para “impulsionar a implementação de políticas estratégicas para o cumprimento desta meta”.

Na apresentação da consulta pública sobre o Plano Quinquenal 2026-2030, as autoridades indicaram que o Governo deverá fazer um investimento de 100 mil milhões de patacas em elementos não jogo ao longo dos próximos cinco anos. O documento de consulta diz que, “tomando o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau como linha orientadora da acção governativa, e através de novas ideias, maior força e medidas concretas focadas no reforço do apoio político, no aumento dos investimentos financeiros e na optimização do ambiente de negócios”, o Governo deve procurar “cultivar novas indústrias com competitividade internacional, a fim de promover solidamente as diversas tarefas definidas para o pleno desenvolvimento da diversificação adequada da economia, em busca de novos avanços e conquistas”.

Neste âmbito, indica o Plano, será optimizada a indústria de turismo e lazer, reforçada a promoção turística no exterior e as concessionárias de jogo serão exortadas a “cumprir rigorosamente os contratos de concessão e a realizarem investimentos de jogo e não jogo”. Será também reforçada a aposta nas indústrias emergentes, aumentada a competitividade das pequenas e médias empresas e aprofundado o desenvolvimento de “Macau + Hengqin”.

Henry Lei lembra também que, no início do ano, o Governo anunciou a criação de um Fundo de Orientação Governamental de 11 mil milhões de patacas provenientes dos rendimentos acumulados ao longo dos anos da reserva financeira para promover a diversificação da economia da RAEM. Está também a ser construído o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, recorda o economista, antecipando que, daqui a cinco anos, estas novas iniciativas possam gerar “os primeiros resultados para o território, permitindo a expansão da componente do PIB não relacionado com o jogo”.

“De modo geral, desde que o Governo da RAEM continue a progredir na implementação destes projectos, estou optimista quanto aos resultados em termos de diversificação económica”, afirma Henry Lei.

 

SAMUEL TONG TAMBÉM CONFIANTE

 

Samuel Tong, economista e presidente do Instituto de Gestão de Macau, também se mostrou confiante, mas ressalva que “a reestruturação económica e diversificação industrial são limitadas devido ao pequeno mercado interno e recursos naturais escassos”. Contudo, o também director-geral da Aliança de Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa aponta que “os casos económicos internacionais bem-sucedidos” mostram que “a cooperação regional pode ultrapassar estes obstáculos”.

Assim, “Macau deverá aprofundar activamente a sua integração com a Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin e, com o desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, acredita-se que será promovida ainda mais a diversificação moderada da economia de Macau”, o que “ajudará a atingir a meta estabelecida no 3.º Plano Quinquenal de que as indústrias não relacionadas com o jogo representem 60% do valor do PIB até 2030”.

 

SALES MARQUES MAIS CÉPTICO

 

José Luís Sales Marques mostra-se menos optimista. O economista começa por referir que, “num mundo complexo e bastante turbulento, nenhum cenário é impossível”, mas “será pouco provável que o sector não jogo venha a atingir 60% do PIB em 2030”.

Sales Marques fez as contas e concluiu que, “assumindo que a economia de Macau crescerá 4% em 2026, desacelerando depois ligeiramente ano após ano até 2030, o sector não jogo teria que ‘ganhar’ 123 mil milhões de patacas, em relação ao PIB estimado de 2026 que seria de 434 mil milhões”. Para este ano, é apontado um crescimento de 5% do sector do jogo.

Assim, “será pouco provável que o sector não jogo consiga esse resultado, a não ser que o sector jogo tivesse uma performance negativa, o que não se espera, nem se deseja”, conclui o economista.

O 3.º Plano Quinquenal da RAEM está sujeito a uma consulta pública que começou ontem e que vai terminar no dia 28 de Junho. Serão realizadas oito sessões de consulta destinadas a vários sectores de Macau e mais três para o público em geral. Além disso, os residentes podem manifestar a sua opinião sobre este Plano Quinquenal através da Conta Única ou pela página electrónica da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR).

 https://pontofinal-macau.com/2026/05/20/sector-nao-jogo-devera-representar-60-do-pib-ate-2030-sera-viavel-economistas-dividem-se/

Comments

Popular posts from this blog

new Tiger Baccarat side bets

2022-2024 reforms corrected Macau’s casino industry imbalance

Gaming operators finish over 20 pct of pledged projects, study finds